Antes de mais, o teste, porque é isso que veio aqui procurar. Passe a unha ao contrário sobre o risco, sem força, no sentido perpendicular a ele. Se a unha desliza sem prender, o risco está no verniz e há boas hipóteses de sair com polimento. Se a unha prende, o risco passou o verniz e a conversa é outra.
Agora a parte que explica porque é que isto funciona.
A pintura de um carro tem três camadas
Por baixo está o primário, que agarra ao metal e o protege. Por cima vem a tinta de cor, que é surpreendentemente fina, na ordem de um cabelo dividido em várias partes. E por cima de tudo está o verniz, transparente, que é a camada mais espessa das três e a única que se pode trabalhar.
Todo o brilho que vê num carro é verniz. A cor está lá em baixo, protegida.
Polir é remover uma fração micrométrica de verniz, nivelando-o até o fundo do risco deixar de existir. Por isso é que um polimento resolve riscos de verniz e não resolve mais nada: quando o dano chegou à tinta, não há verniz para nivelar.
O que costuma sair com polimento
Riscos de lavagem e as teias de swirls que se veem ao sol. Marcas de pano seco. Riscos de unha à volta dos puxadores. Marcas de dejetos de aves que gravaram a superfície. Manchas de água dura e de rega. Oxidação e baço no tejadilho e no capô. Riscos superficiais de arbustos e de sacos de compras.
Nestes casos, além de ser muito mais barato, é melhor solução: o carro mantém a pintura de fábrica, que vale mais na revenda do que qualquer repintura, por bem feita que seja.
O que não sai
Riscos em que se vê o branco do primário ou o cinzento do metal. Riscos com aresta afiada que a unha agarra. Riscos de chave, que costumam ir fundo. Zonas com tinta levantada ou pontos de corrosão. Qualquer dano com deformação da chapa por baixo.
Aqui pintar não é opção, é a única saída. E em Almada há uma razão extra para não adiar: enquanto a pintura está fechada protege o metal, mas a partir do momento em que um risco a abre até à chapa, o sal do ar encontra caminho. Um risco que noutro sítio ficaria anos igual, aqui pode transformar-se em corrosão em muito menos tempo.
Os casos duvidosos
Há riscos em que a unha prende só em parte do comprimento. Normalmente significa que o risco varia em profundidade, e o que se faz é polir para reduzir tudo o que for verniz, ficando um traço muito mais discreto do que estava. Não desaparece, mas melhora ao ponto de deixar de se notar a dois metros.
Há também riscos que não são riscos. Transferência de tinta de outro carro ou de um poste fica por cima do verniz, não por baixo, e sai por completo com polimento. Vale sempre a pena tentar antes de assumir o pior.
Porque é que dizemos isto abertamente
Podíamos deixar toda a gente pedir orçamento de pintura e faturar mais. Só que um cliente a quem se pinta um painel que não precisava de tinta descobre-o mais cedo ou mais tarde, e nunca mais volta. Preferimos perder o trabalho grande e ficar com o pequeno.
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