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Quanto tempo aguenta o gelcoat de um barco sem tratamento

Ninguém repara no dia em que o casco deixou de brilhar. Repara-se dois anos depois, ao ver uma fotografia antiga.

A degradação de um casco de fibra não tem um momento. É contínua e lenta, e é por isso que tanta gente convive anos com um barco baço sem se dar conta, até ver uma foto do primeiro verão.

O que se passa, em termos simples

O gelcoat é uma resina com pigmento aplicada por cima da fibra, e é ele que dá cor e brilho ao casco. A radiação ultravioleta quebra as ligações químicas da camada superficial dessa resina, que perde a capacidade de refletir luz de forma uniforme.

Primeiro nota-se só uma perda de profundidade na cor. Depois aparece um tom leitoso. Na fase final, a superfície solta pó: passe a mão e fique com os dedos brancos. A esse ponto chama-se oxidação, e o que está a soltar-se é material morto.

Uma linha temporal realista

Não há números exatos, porque depende de onde o barco fica, de quantas horas de sol apanha por dia e da cor do casco. Mas o padrão repete-se:

Cascos coloridos, sobretudo azuis e vermelhos, dão sinais mais cedo do que os brancos, porque o pigmento degrada-se de forma mais visível.

Aquilo que acelera tudo

Barco parado ao sol sem cobertura é o fator número um, muito à frente de todos os outros. Depois vem a lavagem com produtos domésticos agressivos, que retiram a proteção que ainda houvesse. E finalmente esfregar com força para tirar manchas, que é abrasão sem controlo e desgasta o gelcoat de forma irregular.

Em Almada há ainda o vento carregado de sal e areia, que junto à Costa e à Trafaria funciona como jato abrasivo muito fino em dias de vento forte.

Até onde há recuperação

Esta é a boa notícia e costuma surpreender. A camada oxidada é fina, e por baixo dela o gelcoat está vivo e com a cor original. Um casco que parece perdido volta quase sempre a ter cor.

Faz-se por abrasão controlada, com compostos de corte em passagens sucessivas, cada uma menos agressiva do que a anterior, até o brilho voltar. É trabalho demorado e é dos poucos serviços em que o antes e o depois não precisa de explicação.

O limite existe: quando o gelcoat já foi gasto ao ponto de se aproximar da fibra por baixo, não há mais material para trabalhar. Aí a solução é repintura ou aplicação de gelcoat novo, que é obra de estaleiro.

Recuperar sem selar é meio trabalho

Um gelcoat acabado de recuperar está limpo, aberto e completamente desprotegido. Se ficar assim, oxida mais depressa do que estava antes.

Um selante marítimo aguenta tipicamente uma época. Um coating cerâmico aguenta bastante mais, e tem a vantagem de tornar a lavagem seguinte muito mais fácil, porque a sujidade deixa de encontrar poros onde se agarrar. Cera, num barco, dura semanas e não vale o trabalho de a aplicar.

Fazemos detalhe de barcos e motas de água em Almada: recuperação de gelcoat, linha de água, descontaminação das escorrências de inox, estofos em vinil e proteção. Fotos do casco com sol direto são a melhor forma de avaliarmos: 919 060 257.

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