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As jantes de quem atravessa a ponte todos os dias

Dá para saber o percurso diário de um carro só de olhar para as jantes. Quem faz a 25 de Abril nas horas de ponta tem uma assinatura inconfundível.

Trinta minutos de fila para entrar na ponte não são trinta minutos de condução, são algumas centenas de travagens. E cada travagem deixa marca, literalmente.

Travagem parada é o pior cenário possível

Numa autoestrada a velocidade constante, os travões trabalham pouco. Em fila, é acelera e trava, acelera e trava, com o carro a ganhar e a perder inércia sem parar. As pastilhas nunca arrefecem por completo, e a quantidade de material que libertam multiplica-se.

Esse material não é poeira inofensiva. São fragmentos metálicos que saem quentes e vão parar à jante que está ali a centímetros. Quentes, amolecem ligeiramente o verniz da jante e cravam-se nele. Depois arrefecem, ficam presos, e começam a oxidar.

É por isso que a jante de quem faz este percurso escurece em dias e não em meses, e é por isso que lavá-la não resolve o problema mais do que uma semana.

O tipo de carro também conta

Se anda com um carro alemão e sempre lhe disseram que "aqueles sujam mais as jantes", não é impressão sua. Muitos fabricantes europeus escolhem pastilhas de composição orgânica ou semi-metálica que travam melhor e libertam mais material. É uma troca deliberada: mais eficácia de travagem, mais pó.

Junte-se a isso o estilo de condução. Quem trava tarde e com força produz mais pó do que quem antecipa e alivia. Numa fila para a ponte há pouca margem para antecipar seja o que for.

Como se sabe se as jantes estão mesmo limpas

Lave-as, deixe secar e passe as pontas dos dedos pela zona plana entre os raios. Áspera quer dizer contaminação cravada; lisa quer dizer limpa. É o mesmo teste que se faz à pintura e serve exatamente para a mesma coisa.

Repita do lado de dentro, se lá conseguir chegar. A face interior recebe mais pó do que a exterior e quase nunca é lavada, e é normalmente onde a corrosão começa, escondida de todos.

O que resolve, e por esta ordem

Primeiro descontaminação química, que dissolve as partículas ferrosas cravadas no verniz. O produto reage com o ferro e escorre roxo pela jante abaixo, o que dá uma noção bastante clara de quanto material estava lá dentro.

Depois proteção. Um selante ou coating específico para jantes, capaz de aguentar o calor dos travões, coisa que as ceras comuns não fazem, porque derretem. Com essa camada aplicada, o pó de travões passa a assentar em vez de se cravar, e a lavagem seguinte leva-o embora com champô e mais nada.

Sem o segundo passo, daqui a seis meses estamos exatamente na mesma conversa.

Em Almada há ainda o sal

Nas zonas mais próximas do mar, e sobretudo em quem estaciona na Costa da Caparica ou na Trafaria, o pó de travões cravado tem companhia. Qualquer picada no verniz da jante passa a ser porta de entrada para corrosão do alumínio por baixo, e nesse ponto já não é limpeza que resolve.

Chegar antes disso é a diferença entre um detalhe e um restauro caro.

A limpeza de jantes não se marca à parte connosco: vai dentro da lavagem de carros, com descontaminação e proteção. O processo está explicado na página das jantes.

Já tem manchas castanhas que não saem?

Se forem contaminação acumulada, saem quase sempre. Se a corrosão já comeu o verniz da jante, aí falamos de restauro e não de limpeza. Pela fotografia percebe-se qual é o caso: 919 060 257.

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